• Christiano Malgueiro

Vacinação X Fobia de agulha - como lidar?


A vacinação contra o COVID-19 tem avançado e, para alguns, se vacinar pode ser um desafio devido a sua fobia de agulha/sangue. É este o seu caso? Primeiramente, vamos entender o que esta fobia representa.


Como saber se tenho fobia de agulha/sangue?


Para saber se você possui uma fobia, é necessário realizar um diagnóstico com um profissional da saúde mental. Neste processo, relatar alguns sintomas ou, ‘sinais’, pode ser útil.


Em primeiro lugar é preciso entender que o medo é uma reação normal, ou seja, um processo natural e que indica o bom funcionamento da nossa amígdala cerebral, responsável pela reação diante de algum perigo. No entanto, quando este medo se apresenta de forma intensa e frequente diante de situações em que não há risco ou ele é mínimo, pode ser que haja o desenvolvimento de uma fobia.


Por isso, pergunte-se:

· Evito fazer exames necessários devido ao meu medo?

· Costumo ter crises de ansiedade ao pensar em realizar exames ou receber a vacina?

· Ao ser vacinado ou realizar exames, já desmaiei, tive sudorese excessiva, aceleração cardíaca e outros sintomas físicos intensos?


Esses são alguns sinais que podem lhe indicar a necessidade de procurar uma ajuda especializada.







O que fazer se apresento esta fobia neste momento de vacinação?


Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país com mais pessoas ansiosas no mundo, ou seja, os transtornos de ansiedade são muito comuns por aqui, sendo, as fobias, um deles.


Assim, existem inúmeros tratamentos que, conciliados e gerenciados por profissionais da saúde, podem lhe ajudar. Além disso, no caso da fobia de agulhas, temos algumas dicas práticas:


· Entenda que a vacinação é útil e fará bem a você, não o contrário;

· Busque se acostumar com a ideia gradativamente: pensando sobre o assunto e lendo informações com afirmações positivas;

· Evite ler e consumir materiais que reforçam o seu medo;

· Teste o lúdico: experimente se habituar com seringas de brinquedo ou sem agulha, até que a presença delas não lhe cause ansiedade;

· No momento da vacinação, distraia-se: teste ouvir uma música, assistir a um vídeo ou qualquer outra coisa que lhe prenda a atenção;

· Lembre-se que o processo é muito rápido! Isso lhe ajudará a ter uma nova visão sobre o contexto da vacinação;

· Faça uma lista dos bons motivos para que você se vacine e tenha-os bem em mente!


É possível vencer a fobia de agulha/sangue?


Uma de nossas pacientes, atendida pela especialista Nataly Martinelli, pode lhe ajudar com essa resposta. Leia o que Thayná Garcez, disse:


“Sudorese, taquicardia e algo que mais tarde eu descobriria se chamar “hiperventilação”: esses eram os sintomas que eu sentia quando eu pensava em sangue, agulhas e ambiente hospitalar. O meu corpo se comprimia e a minha pressão caia e então eu me sentia constrangida por estar vulnerável e exposta, por não controlar a situação.

Eu lembro que para todos esses sintomas eu tinha uma palavra: fobia (que já era conhecida na minha família, inclusive aparentemente faço parte da terceira geração a apresentar o mesmo tipo fóbico).

Eu não sabia que fobias podiam ser tratadas e isso me deixava triste e pesada. Isso me trazia sofrimento, pois acreditava que teria que levar isso para o resto da minha vida – essa mala pesada e incompreendida.

Eu me senti aliviada quando soube que existia tratamento. Senti-me feliz pela oportunidade de me livrar do sofrimento, afinal fobia não é frescura, não é birra e não é “só um medo”. É desesperador e paralisante.

E foi assim que eu cheguei ao consultório terapêutico. Com muito medo, mas muita coragem. Para mim, perceber que existia alguém que entendia a minha dor e estava disposta a me ajudar foi crucial e me fez seguir adiante. E através dessa parceira em dezembro eu realizei o impossível: fiz minha primeira doação de sangue.

Hoje eu posso dizer que pertenço à primeira geração da minha família que conseguiu olhar e curar uma fobia.

Hoje eu entro em hospitais, tiro sangue e tomo vacinas. Posso ter qualidade de vida e fazer exames. Posso saber como eu realmente estou após todos esses anos em que não consegui. E tudo só foi possível através do processo terapêutico.”


Com o acompanhamento ideal você conseguirá enfrentar sua fobia. Por isso, busque ajuda o quanto antes!


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